O adolescente Carlos Alexandre Pereira de Sousa, de 14 anos, sequestrado e morto em maio deste ano, foi assassinado em um contexto de briga de facções, segundo a Polícia Civil do Piauí (PCPI). Apesar disso, ele não tinha nenhum envolvimento com grupos criminosos, afirmou o delegado responsável pelo caso.

Três suspeitos de integrarem uma facção criminosa e participarem do sequestro e morte foram presos, na quarta-feira (2), pelo Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP).

De acordo com o delegado Jorge Terceiro, da Delegacia Especializada em Pessoas Desaparecidas (Desap) do DHPP, eles são:

Francisco das Chagas Sousa, suspeito de comandar uma "boca de fumo" no bairro Três Andares, na Zona Sul de Teresina;

Michael e Mateus, que já estavam presos por outros crimes. Michael havia sido localizado pela Polícia Civil em uma operação, também em maio.

Além dos três, um adolescente suspeito de envolvimento no crime também foi apreendido pela polícia, mas o DHPP não deu detalhes sobre a participação dele.

'Caça' a criminosos rivais

A investigação policial apontou que no dia do sequestro, em 26 de maio, membros da facção integrada pelos suspeitos presos estavam "caçando" criminosos de um grupo rival.

Antes disso, eles roubaram o carro de um idoso no bairro Três Andares, onde se concentra o grupo ao qual pertencem. Foi com esse veículo que sequestraram Carlos Alexandre, mesmo que ele não tivesse qualquer registro criminal.

"Eles aproveitaram que o idoso estava sob efeito de álcool, tomaram o veículo e praticaram vários crimes, dentre eles o sequestro. Levaram [o adolescente] à Estrada dos Torrões e o mataram com um tiro na cabeça", explicou o delegado Jorge Terceiro.

O dono do carro chegou a ser preso e encaminhado ao DHPP, mas disse aos policiais que foi vítima de roubo. Parentes do idoso também foram ouvidos e confirmaram a versão dele, que foi liberado.

Os familiares recuperaram o veículo na manhã seguinte ao crime. O carro estava, de acordo com os relatos deles, em posse de jovens no Três Andares.

"Não descartamos a necessidade de outras pessoas serem detidas no futuro. Esperamos concluir o inquérito nos próximos dias e remetê-lo à Justiça para a responsabilização dos envolvidos", completou o delegado.

O veículo segue no DHPP para a realização de perícia.

O corpo de Carlos Alexandre foi encontrado em estado de decomposição, em 4 de junho, em um matagal na Estrada da Alegria, na Zona Sul da capital.

De acordo com o 17º Batalhão da Polícia Militar (BPM), ele foi avistado por dois trabalhadores que estavam retirando madeira no local.

A perícia e o Instituto de Medicina Legal (IML) foram acionadas para retirar o corpo do local. Eles confirmaram a identidade da vítima após fazerem um exame cadavérico.